Tipos de anestesia para cirurgia endoscópica da coluna

27/01/2026

A cirurgia endoscópica da coluna vem se consolidando como uma alternativa minimamente invasiva eficaz no tratamento de diversas patologias degenerativas, discais e compressivas da coluna vertebral. Além da técnica cirúrgica propriamente dita, a escolha do tipo de anestesia é um fator determinante para a segurança do paciente, o conforto intraoperatório e os desfechos clínicos.
Este artigo é direcionado a médicos e profissionais da área da saúde interessados em aprofundar seus conhecimentos sobre as principais modalidades anestésicas aplicáveis à cirurgia endoscópica da coluna, considerando indicações, vantagens, limitações e critérios de seleção.

 


Importância da anestesia na cirurgia endoscópica da coluna
Diferentemente das cirurgias abertas convencionais, os procedimentos endoscópicos da coluna apresentam menor agressão tecidual, menor sangramento e menor resposta inflamatória sistêmica. Isso amplia o leque de possibilidades anestésicas, permitindo abordagens mais individualizadas, especialmente em pacientes com comorbidades.
A escolha adequada da anestesia impacta diretamente:
• A estabilidade hemodinâmica durante o procedimento
• O controle da dor intra e pós-operatória
• A possibilidade de feedback neurológico do paciente
• O tempo de recuperação e alta hospitalar

 


Principais tipos de anestesia utilizados


1. Anestesia local com sedação
A anestesia local associada à sedação consciente é amplamente utilizada em procedimentos endoscópicos da coluna, especialmente nas abordagens transforaminais.
Características:
• Infiltração de anestésico local nos planos cutâneo, subcutâneo, muscular e periarticular
• Sedação leve a moderada, geralmente com agentes como midazolam, propofol ou dexmedetomidina
Vantagens
• Permite comunicação contínua com o paciente
• Possibilita monitorização neurológica em tempo real
• Menor impacto cardiovascular e respiratório
• Recuperação mais rápida e menor tempo de internação
Indicações
• Hérnias discais lombares e foraminais
• Pacientes idosos ou com alto risco anestésico
• Procedimentos de curta duração
Limitações
• Dependência da colaboração do paciente
• Pode ser insuficiente em casos de dor intensa ou ansiedade elevada


2. Anestesia regional (raquidiana ou peridural)
A anestesia regional é outra opção viável, especialmente em cirurgias endoscópicas lombares.
Raquianestesia
• Bloqueio subaracnoideo com anestésicos locais
• Proporciona analgesia e relaxamento muscular adequados
Peridural
• Bloqueio segmentar, com possibilidade de titulação da dose
Vantagens
• Excelente controle da dor
• Menor necessidade de opioides sistêmicos
• Manutenção da ventilação espontânea
Indicações
• Procedimentos lombares endoscópicos
• Pacientes que não toleram anestesia geral
Limitações
• Perda do feedback motor e sensitivo durante o procedimento
• Risco de hipotensão, retenção urinária e cefaleia pós-punção

3. Anestesia geral
Embora menos frequente em cirurgias endoscópicas da coluna, a anestesia geral ainda tem seu papel em situações específicas.
Características
• Indução com agentes intravenosos e manutenção inalatória ou venosa total
• Via aérea protegida (intubação ou dispositivo supraglótico)
Vantagens
• Conforto absoluto para o paciente
• Maior controle das vias aéreas
• Indicada para procedimentos mais longos ou complexos
Indicações
• Pacientes não colaboradores
• Ansiedade severa
• Cirurgias multissegmentares ou revisões complexas
Limitações
• Maior impacto fisiológico
• Ausência de feedback neurológico intraoperatório
• Recuperação potencialmente mais lenta

 


Fatores que influenciam a escolha da anestesia
A decisão sobre o tipo de anestesia deve ser individualizada e baseada em múltiplos fatores, incluindo:
• Tipo e localização da patologia da coluna
• Abordagem cirúrgica (transforaminal, interlaminar, cervical ou lombar)
• Duração prevista do procedimento
• Perfil clínico e comorbidades do paciente
• Experiência da equipe cirúrgica e anestésica
A integração entre cirurgião e anestesiologista é essencial para otimizar os resultados e minimizar riscos.

 

Tendências e evidências atuais
Com a evolução das técnicas endoscópicas e do controle anestésico, observa-se uma tendência crescente ao uso de anestesia local com sedação em centros especializados. Essa abordagem está associada a menor morbidade, maior segurança e recuperação mais rápida, alinhando-se aos princípios da cirurgia minimamente invasiva.
Imersões em temas avançados, como a aplicação do ultrassom, oferecidas pelo Curso SpineUs, proporcionam recursos fundamentais para cirurgiões e anestesistas, contribuindo diretamente para o planejamento cirúrgico e para a condução anestésica em procedimentos endoscópicos da coluna, com ganhos comprovados em precisão, segurança e redução de riscos.

 


Conclusão
A cirurgia endoscópica da coluna permite diferentes abordagens anestésicas, cada uma com indicações específicas. O conhecimento aprofundado dessas opções é fundamental para médicos que desejam atuar ou se especializar nessa área.
A escolha criteriosa da anestesia contribui diretamente para melhores desfechos clínicos, maior segurança do paciente e excelência nos resultados cirúrgicos.


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